TOP 10 Criaturas Lendárias

Conheça as TOP 10 Criaturas Lendárias,A mitologia de vários povos é recheada de personagens fantásticos, com força sobre-humana e poderes mágicos. Algumas dessas criaturas acabaram se transformando em lendas e ficaram mundialmente conhecidas ou por meio da tradição oral, ou por meio de histórias retratadas com frequência em livros e filmes. Outras acabaram caindo no mais completo ostracismo, e só são lembradas quando a história de um povo é repassada.  Mas o que essas criaturas têm de tão especial para que consigam transcender o tempo e o espaço? A resposta, segundo especialistas em mitologia, é que esses mitos legitimaram os fundamentos culturais de uma tribo, de uma cidade ou de uma nação de acordo com verdades universais. Eles foram criados de acordo com a história, as religiões e os heróis de cada povo e desafiaram o tempo devido ao seu grande significado histórico.

Por isso, é difícil estudar a história antiga, sem falar das crenças greco-romanas, de seus deuses e heróis e, claro, de seus inimigos, sempre retratados como seres fantásticos. Ou ainda da história anglo-saxã, sem que sejam mencionadas as crenças em bruxas, dragões e espadas mágicas. Impossível também não associar os vikings aos deuses e gigantes nórdicos. Deuses como Thor e Odin, por exemplo, já renderam desenho animado, filmes, contos infantis, peças de teatro e jogos de computador.
Hoje, num mundo em que heróis são pessoas comuns, enfrentando inimigos igualmente comuns, é natural que essas criaturas lendárias ainda povoem nosso imaginário e nos fascinem. Afinal, o ataque de criaturas fantásticas à humanidade hoje está confinada a filmes como “Godzilla”, “Cloverfield” e “Guerra dos Mundos”. Em alguns casos, há alienígenas como o chupacabras que chupam o sangue de animais.
As dez criaturas lendárias listadas neste artigo não seguem nenhuma ordem em especial. São seres fantásticos que atravessaram as fronteiras do tempo e que, de certa forma, vão de encontro aos nossos medos mais profundos.


10. Pé-Grande

Nas florestas do noroeste dos EUA e do sul do Canadá vive uma criatura de cerca de 3 metros de altura e corpo recoberto por pelos marrom avermelhados que, de tempos em tempos, aparece para meter medo em turistas, trilheiros e caçadores: o pé-grande, ou sasquatch. A criatura, segundo relatos, anda sobre duas pernas e a passos longos, fica reto como um ser humano e tem um rosto que é uma mistura de gorila e ser humano.

No folclore de muitas tribos indígenas americanas, o pé-grande, apesar do tamanho imenso e da cara assustadora, é uma criatura pacífica, muito inteligente e com poderes espirituais. Curioso, ele costuma aparecer em acampamentos para observar os humanos e os objetos que eles usam. Alguns relatos dizem que o pé-grande anda em bando. Outros, que ele está sempre sozinho. Nenhum, porém, fala de ataques da criatura a seres humanos – a menos, é claro, que ela seja seriamente provocada.
Como há muitos relatos de aparições de pé-grande nos EUA e no Canadá, pesquisadores saíram à procura de provas de sua existência. Foram encontrados pelos, pegadas e marcas de seu corpo, mas ainda não há evidências conclusivas de que tal criatura exista.
O criptozoólogo Grover Krantz, professor de antropologia física da Universidade Estadual de Washington, foi um dos poucos cientistas que pesquisaram o pé-grande, dizia que ele é parente do gigantopithecus, uma criatura que viveu na Ásia central e no sudeste asiático entre 1 milhão e 9 milhões de anos atrás. Aparentemente, os descendentes de gigantopithecus chegaram até aqui cruzando uma ponte de gelo entre o norte da Ásia e o norte da América do Norte. Daí o fato de o pé-grande ser confundido com seu primo asiático, o abominável homem das neves.

9. Abominável homem das neves

Enquanto o pé-grande tem o corpo coberto por pelos marrom-avermelhados, o Abominável Homem das Neves, ou Yeti, tem pelagem de cinza a branca, que se confunde com a neve da região do Himalaia, no Nepal e no Tibet. Ali ele é visto de tempos em tempos por alpinistas e locais desde o século 19. Tibetanos, nepaleses, sherpas e exploradores ocidentais afirmam ter encontrado rastros – principalmente pegadas – não de uma, mas de várias criaturas nas montanhas himalaias.
Em 1832, o representante do Reino Unido no Nepal B.H. Hodson informou à coroa que uma besta peluda atacara seus servos. Em 1989, o major britânico L.A. Waddel descobriu enormes pegadas no alto de uma montanha a noroeste de Sikkim. Os guias disseram tratar-se dos rastros de uma criatura parecida com homem chamada Yeti, e que era provável que ela os atacasse para levá-los como comida. Em 1913, um grupo de caçadores chineses disse ter ferido e capturado uma criatura peluda parecida com um homem. Ela teria sido mantida presa até sua morte, cinco meses depois. Foi descrita como tendo cara de macaco preta e corpo enorme coberto com pelo amarelo-prateado comprido, com mãos e pés parecidos com o dos homens, mas com garras no lugar de unhas. Em 1921, membros da expedição britânica liderada pelo coronel Howard-Bury subindo a face norte do Monte Everest, disseram ter visto figuras escuras se movendo um pouco acima deles. Quando chegaram ao local onde estariam as figuras, encontraram enormes pegadas humanas na neve. Dois anos depois, o major Alan Cameron, em expedição ao Everest, fotografou rastros da criatura. Entre 1925 e 1998, mais de 20 relatos sobre a existência do abominável homem das neves foram feitos.
Mas apesar desses relatos e ao contrário do que acontece com o pé-grande, o yeti tem sua existência questionada pela ciência. Criptozoólogos afirmam não haver nenhuma evidência de que o abominável homem das neves existe, a não ser pela descoberta de fósseis do gigantopithecus naquela região asiática.
8. Monstro do lago Ness

Nas terras altas da Escócia, uma região onde o sol só aparece 48 dias por ano, existe um lago sempre coberto por uma névoa que é mundialmente conhecido: o lago Ness. O motivo da fama? Reza a lenda que em suas águas profundas (226 m) vive um monstro marinho parecido com o plesiossauro, um réptil pré-histórico que viveu no período mesozoico (os plessiossauros tinham um pescoço muito grande e uma cabeça pequena e se deslocavam com a ajuda de enormes membros em forma de barbatana).

O primeiro registro escrito do monstro do lago Ness foi feito no século 16 pelo monge e missionário irlandês São Columbano. Segundo Columbano, ele teria salvado um picto [antigo habitante da escócia] das garras do monstro. Mas Columbano não descreve a criatura, somente seu ato heroico. Em 1923, o monstro foi descrito por Alfred Cruickshank como uma criatura de cerca de 3 m de comprimento e dorso arqueado. Dez anos depois, o jornal local “Inverness Courier” publicou uma reportagem sensacionalista contando que o monstro aterrorizante foi visto por um casal entrando e saindo da água. A partir de então, relatos sobre a existência da criatura começaram a pipocar e atraíram para o lago o repórter free lancer do Daily Mail Marmaduke Wetherell.
A foto ficou conhecida pelo nome de foto do cirurgião, porque Wetherell usou o nome do cirurgião R.K. Wilson como autor, para conferir maior credibilidade à imagem. Como ele mesmo acabou confessando depois, a mais famosa fotografia do monstro era falsa. Entre a publicação da foto, em maio de 1934, e a confissão de Wetherell, em 1994, o suposto monstro do lago Ness virou a maior atração da Escócia, um país de paisagens belíssimas cuja história é recheada de mitos fantásticos. Muitos turistas montavam acampamento às margens do lago à espera de uma chance de avistar ou fotografar o monstro, que a essa altura já havia ganho o carinhoso apelido de Nessie. Quem deu sorte, descreveu o monstro como sendo muito parecido com um plesiossauro, o que levou à teoria de que talvez exista no fundo gelado do lago algum exemplar que sobreviveu à extinção de sua espécie. Como seria possível que uma única criatura tenha sobrevivido por tanto tempo? A partir da dúvida surgiram novas teorias:
Não existe apenas um plesiossauro no lago, mas uma comunidade inteira, que sobrevive graças à comida abundante do lago; O monstro que habita o lago não é um plesiossauro, mas, sim, um parente dele, com estrutura óssea e muscular adaptada para as baixas temperaturas do lago;
O monstro, na verdade, seria um esturjão, um peixe de aparência estranha que é encontrado em abundância no lago; O monstro não seria monstro. Nem peixe. Nem parente de dinossauro nenhum. Há quem relacione os registros visuais com a liberação de gases da falha tectônica que modela o lago. Esses gases podem chegar à superfície sobre a forma de bolhas, o que explicaria o motivo pelo qual o monstro coloca a cabeça fora d’água para respirar.
Disposta a acabar de vez com a dúvida sobre a existência de Nessie, a TV estatal inglesa BBC montou uma equipe e percorreu o lago de ponta a ponta com sonares e mergulhadores. Resultado: nenhum monstro encontrado e o veredito de que Nessie não passava de um ser imaginário.
Mas em 2007, a própria BBC acabou se rendendo à lenda. No dia 29 de maio daquele ano, a BBC da Escócia transmitiu um vídeo amador que mostrava uma criatura preta de cerca de 13 metros movendo-se rapidamente no lago. Feito pelo técnico de laboratório Gordon Holmes, o vídeo, que está sendo estudado por biólogos, registra o que é considerada uma das “mais extraordinárias aparições do monstro”. E a lenda continua.
7. Kraken

No século 8, exploradores, guerreiros, mercadores e piratas nórdicos navegavam pelos mares tomando cuidado para não despertar um monstro marinho cuja fama era de devorador de navios e gente – o kraken. Quem topou com a fera e sobreviveu para contar história dizia que o kraken era um misto de polvo e lula gigantesco, com dez pernas cheias de tentáculos e uma bocarra fétida. O monstro marinho virou lenda dentro da mitologia nórdica e personagem de livros e filmes de vários países.

Sua mais famosa “aparição” foi no livro “Vinte Mil Léguas Submarinas”, de Júlio Vernes. Na história, o mundo acredita que o Náutilus, um submarino ultra-avançado criado pelo capitão Nemo e que acaba afundando ou provocando estragos em alguns navios, seja o monstro marinho kraken. Em “Moby-Dick”, de Herman Melville, a gigantesca baleia que assombra os mares e o sono do capitão Ahab, é confundida inicialmente com o kraken – antes de descobrirem tratar-se uma baleia. Mais recentemente, o kraken virou monstro-marionete do fantasma Davy Jones, na trilogia “Piratas do Caribe”. Nos filmes, o kraken é despertado pelos marinheiros-fantasmas de Jones ao ser acionada um mecanismo do navio Holandes Voador. Furiosa, a fera sobe à superfície para afundar os navios inimigos da coroa britânica e para perseguir o capitão Jack Sparrow.
A lenda do kraken pode ter se originado da visão de lulas gigantes, comum em mares gelados e em grandes profundidades e que podem crescer até mais de 15 metros. No livro “Natural History of Norway, Erik Pontoppidan, bispo de Bergen, descreve o kraken como um animal “do tamanho de uma ilha flutuante, cujo perigo real para marinheiros não era a criatura em si, mas o redemoinho que ela criava depois de submergir rapidamente no oceano”.
6. Leviatã
Uma criatura marinha monstruosa criada por Deus no quinto dia da Criação, tão grande e tão assustadora que, quando se levanta, tremem as ondas do mar e as vagas do mar se afastam; sua boca, quando aberta, mostra dentes terríveis, e o corpo é coberto por escamas sobrepostas impenetráveis (“nem o ar lá penetra: nada ultrapassa aquela barreira”); os olhos brilham como faíscas e sai-lhe fogo da boca; sua força está concentrada no pescoço; e o coração é duro como uma rocha. Assim é o Leviatã, monstro marinho que povoa o imaginário humano, desde que ele foi descrito na Bíblia Sagrada (livro de Jó, no Antigo Testamento) e na Tanach, a Bíblia judaica.
Segundo referências do Antigo Testamento, Deus teria criado um casal dessas criaturas, mas ao perceber que eles poderiam destruir o mundo caso viessem a se reproduzir, acabou matando a fêmea e deixando somente o macho. Enfurecido e solitário, o macho chamado leviatã passou a descontar sua fúria em marinheiros desavisados que, em vão, tentavam matá-lo.
Histórias envolvendo o monstro acabaram surgindo. Nas lendas judaicas, o Leviatã é uma serpente marinha tão grande que é capaz de dar a volta ao mundo e colocar o rabo na própria boca. Criaturas semelhantes aparecem no bestiário de outros povos. Na mitologia grega, o leviatã é o ouroboros, serpente ou dragão que come o próprio rabo e representa o eterno retorno. Na mitologia nórdica, ele é a Serpente de Midgard, ou Serpente do Mundo, filha do perverso deus Loki que sucumbiu ao martelo de Thor na batalha de Ragnarök, o Crepúsculo dos Deuses.
Na literatura cristã, leviatã é um dos guardiões dos portões do inferno, por isso sua imagem está associada à de satã.
5. Troll

 

Se você já teve oportunidade de conhecer a Noruega, certamente deve se lembrar dos trolls. Lá, essas criaturas lendárias, de olhos pequenos e orelhas e nariz grandes, dão nome a cidades, ruas, florestas e montanhas. Mas ela está presente no folclore dos países nórdicos. Existem duas espécies de trolls:
Trolls gigantes: grandes, brutos, feios e com características bestiais, como dentes enormes e olhos ciclópicos. O cabelo é um tufo que nenhum pente consegue dar jeito.
Trolls pequenos: de aparência e tamanho de um humano, vestem-se normalmente, mas sob a roupa, escondem um rabo. São seres sociais, que vivem em comunidades, só que nas florestas. Cozinham, são excelentes artesãos e preparam grandes banquetes. Vivem em complexos subterrâneos, cujo acesso fica sob grandes rochas na floresta ou em montanhas.
Não se sabe ao certo se os trolls são bons ou maus. Quem já topou com um deles costuma dizer que eles tratam as pessoas da mesma forma como são tratados. Mas todos afirmam que os trolls são grandes ladrões, que roubam a comida armazenada pelos fazendeiros da região. Diz a lenda que os trolls também costumam abduzir pessoas e transformá-las em escravos. Quando se cansam do brinquedo, alguns anos depois, liberam o abduzido sem memória alguma do cativeiro.
Sinos de igreja, cruzes ou mesmo palavras como Jesus ou Cristo são excelentes armas contra os trolls. Segundo a mitologia nórdica, os trolls foram caçados pelo deus Thor, que usou seu martelo miolnir para provocar uma tempestade de raios que teria matado a maior parte deles. No folclore sueco, os trolls levam a culpa por má sorte, por acidentes ou por coisas que acontecem de errado. Quando algo dá errado ou quando um projeto emperra, os suecos costuma dizer: “Parece que há um troll andando aqui”.
Essa crença de que os trolls não estão associadas a coisas boas, acabou levando a criatura para histórias como “O Senhor dos Anéis”, de J.R. Tolkien (eles aparecem em “A Sociedade do Anel”, na caverna dos anões), e “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (aqui eles são descritos como criaturas enormes em tamanho e estupidez, altamente violentas).
4. Dragão

Um dos primeiros mitos criados pela humanidade, o dragão está presente na cultura de vários povos como uma criatura alada parecida com uma serpente ou com um lagarto de grandes proporções, que solta fogo pela boca. Em algumas culturas, como a chinesa e a japonesa, o dragão é uma divindade com poderes mágicos, fonte de sabedoria responsável pela criação do céu e da terra. Na mitologia chinesa, o dragão é um dos quatro animais sagrados convocados pelo deus criador Pan Ku para participar da criação do mundo. Ele é um misto de vários animais místicos: os olhos são de tigre, o corpo, de serpente, as patas, de águia, os chifres, de veado, as orelhas, de boi e os bigodes, de carpa. O dragão representa a energia do fogo, que destrói, mas permite o nascimento do novo (como a fênix).

Em outras culturas, principalmente a ocidental, o dragão é visto como a encarnação do mal, um ser demoníaco que traz o caos para humanidade, uma fonte de destruição. Na mitologia persa, por exemplo, os dragões destroem florestas, roubam o gado e guardam tesouros. Na mitologia mesopotâmica, essas criaturas cometiam grandes crimes e eram punidas pelos deuses. Na mitologia grega, os dragões eram devoradores de homens e adversários de heróis como Hércules, Perseu e Cadmo.
A imagem de dragão mais conhecida é a retratada nas lendas europeias (germânica, escandinava e celta) e na cultura cristã. É a serpente alada, de pernas, que solta fogo pelas ventas e que traz o caos e a destruição. A criatura é descrita em vários livros do Velho Testamento (Gênesis, Isaías, Ezequiel e Jó). A partir daí ela povoa o imaginário de vários povos. Na mitologia nórdica, o dragão é um ser maligno, representado pelo anão Fafnir, cuja ganância o transforma na besta-fera guardiã do anel do poder. Após ser morto por Siegfried, o dragão Fafnir tem parte do coração devorado por seu algoz, o que dá a Siegfried o poder de falar com os animais.
Essa característica mágica do dragão o levou para as histórias de ficção. No filme “Coração de Dragão” (1996), o filho de um rei tirano é gravemente ferido numa batalha. Sua mãe invoca os poderes mágicos de um dragão, que divide seu coração com o príncipe desde que ele prometa ser bom e justo. O príncipe acaba se tornando mais tirano que o pai, e um jovem cavaleiro, acreditando que a ruindade do novo rei se deve ao coração do dragão, sai matando todas as “feras”. Quando falta apenas um dragão, o cavaleiro acaba descobrindo que essas criaturas não eram tão más, afinal.
No filme “Reino de Fogo”, porém, os dragões são retratados como criaturas destruidoras da humanidade num futuro apocalíptico. Na literatura, a criatura aparece em várias histórias fantásticas – de contos infantis a romances adultos. Em “O Senhor dos Anéis”, de J.R. Tolkien, o dragão é responsável pela morte/transformação do mago Gandalf, de mago cinza para mago branco. Ele é retratado como um ser das profundezas, de sombra e fogo, chamado Balrog. Tolkien também usa a criatura como um dos personagens centrais de “O Hobbit” – Smaug, que arrasa vilas e povoados. Na série “Harry Potter”, os dragões aparecem em várias histórias. Ora como salvadores, ora como bichos de estimação, ora como desafio para bruxos em um torneio de magia. Em “As Crônicas de Nárnia”, de C.S. Lewis, os dragões são guardiões de tesouros, e em Eragon, de Christopher Paolini, um dos dois últimos remanescentes da espécie ajuda o herói Eragon a lutar contra as forças opressoras do rei Galbatorix.
Embora o brasileiro fique fascinado com as histórias de dragões, o único contato mais próximo que ele tem com a criatura vem dos bestiários da Igreja Católica, escritos na Idade Média, em que São Jorge representa a vitória da fé sobre a idolatria ao demônio (o dragão). De acordo com esses escritos, o santo patrono de Portugal, Moscou, Inglaterra, Catalunha e Lituânia, teria sido o único guerreiro a conseguir matar o dragão que aterrorizava uma cidade líbia. Conta-se que nesta cidade existia um dragão enorme, cuja pele não podia ser perfurada por lança alguma e cujo hálito era venenoso. Ele ameaçava matar a todos, caso não lhe fossem entregues diariamente as donzelas da cidade. Jorge (que ainda não era santo) apareceu por lá quando restava apenas uma donzela, Sabra, a filha do rei, que prometeu-a em casamento para quem derrotasse a fera. Jorge impediu que a princesa fosse entregue ao dragão e partiu rumo à caverna da fera. Quando viu o jovem guerreiro se aproximando, o dragão emitiu um som parecido com o de trovões, mas Jorge, sem medo, partiu para cima dele e enterrou-lhe a lança sob a asa – o único local sem as grossas escamas -, acertando o coração da fera e matando-a. Jorge acabou fugindo com Sabra para casar-se com ela na Inglaterra, já que o rei, não querendo que ela se casasse com um cristão, tentou matá-lo.
A luta de são Jorge contra o dragão varia nos locais em que a história do santo é conhecida. Mas na cultura popular brasileira, é para São Jorge que as pessoas pedem ajuda quando as coisas estão feias.
3. Vampiro

O romancista irlandês Bram Stoker deu-lhe o nome e criou um padrão: Conde Drácula, imortal, bebedor de sangue humano, transmorfo. O ator Bela Lugosi imortalizou sua aparência e sua sensualidade: gel no cabelo, traje preto formal e capa preta, sofisticação e caninos afiados. A escritora Anne Rice, conferiu-lhe consciência e uma gama de emoções: remorso, desejo de morrer, questionamento sobre a necessidade de sangue humano. Buffy explorou a ideia de que ele possui alma: se tem alma, pode amar e, consequentemente, ser salvo. Angel, a de que ele não é inteiramente mau. Stephanie Meyer determinou que ele é capaz de amar intensa e eternamente: a um igual ou a um ser humano normal e mortal. Os vampiros da era moderna, dráculas cuja vida é retratada em livros, filmes e programas de tevê e que aprendemos a amar e a odiar, derivam de figuras mitológicas presentes em várias culturas há milhares de anos.

Na mitologia moderna, os vampiros são mortos-vivos condenados à imortalidade, que se alimentam somente de sangue humano, dormem em caixões, perdem os poderes à luz do sol, são repelidos por crucifixos, se transformam em animais – um lobo ou um morcego – e não são refletidos em espelhos. Eles são inteligentes e extremamente sensuais, e seduzem suas vítimas antes de cravar-lhes os dentes pontiagudos no pescoço. A única forma de matá-los é enfiando-lhes uma estaca de madeira no coração. Mas os primeiros vampiros de que se tem notícia são bem diferentes do vampiro criado por Bram Stoker em 1897 e que moldou todos os demais dali para frente. No primeiro registro conhecido, de 4.000 anos atrás, na antiga Mesopotâmia, o vampiro era uma demônio chamada Lamatsu. Ela matava criancinhas, mas bebia o sangue de jovens adultos. Tinha asas, garras de pássaro e cabeça de leão. Na mitologia judaica, o vampiro é Lilith, companheira de Adão que se revoltou contra Deus por matar-lhe os filhos e decidiu destruir crianças humanas. Os antigos gregos temiam Lamia, uma mulher metade humana, metade cobra que sugava o sangue de crianças não batizadas para vingar-se de Hera, mulher de Zeus, seu amante.
No folclore celta, baobhan sith seduzia os pastores no campo e os devorava. Mas parece que foi de uma figura do folclore asiático que o vampiro moderno ganhou a característica de morto-vivo bebedor de sangue humano. Na mitologia chinesa, quando o espirito inferior de uma pessoa não passava para o pós-vida no momento de sua morte, o cadáver saía do túmulo e atacava os vivos à noite. Um desses espíritos, Chiang-shi, voava e assumia formas diversas, mordendo suas vítimas com presas afiadas. As tribos nômades e os caixeiros viajantes espalharam diversas lendas sobre vampiros por toda a Ásia, Europa e Oriente Médio. Conforme essas histórias iam de um lugar a outro, os seus vários elementos se combinavam para formar novos mitos sobre vampiros.
Nos últimos mil anos as lendas sobre vampiros foram enriquecidas especialmente pelos europeus. Nos séculos 15 e 16, a Europa viveu uma febre de casos fantásticos envolvendo os upyr russos, os strigoi da Moldávia, Wallachia e Transilvânia e os vampyr de outros países do leste europeu. Pessoas diziam ter visto parentes mortos atacando os vivos, e espalharam um medo que levou a violações de sepulturas e a estacas enterradas no coração dos supostos mortos-vivos. Tudo isso rendeu teses acadêmicas e, claro, muitas outras histórias de ficção, inclusive a do Drácula de Bram Stoker, que se inspirou num personagem real, o príncipe Vladislav Basarab para compor o terrível vampiro Vlad Dracul, o Empalador.
2. Lobisomem

O lobisomem é uma figura mitológica presente em várias culturas. Trata-se de um humano, em geral homem, que se transforma em lobo ou em uma criatura meio homem, meio lobo. A transformação pode ser espontânea ou provocada pela mordida de outro lobisomem, ou ainda, devido a uma maldição. A transformação mais comum geralmente ocorre em noites de lua cheia, mas há histórias de lobisomens que se transformam apenas nas luas cheias do outono, ou vestindo uma pele de lobo, ou ainda colocando um cinto feito de pele de lobo. Os lobisomens, tanto em sua forma humana quanto em sua forma transfigurada, têm força sobre-humana e sentidos aguçados. São capazes de sentir cheiros a quilômetros de distância, e sabem diferenciar o caráter de uma pessoa pelo odor que elas emitem. Os lobisomens só são vulneráveis a objetos de prata, que podem matá-los se atingirem seu coração.

A primeira história de lobisomem de que se tem notícia vem da mitologia grega. Em “As Metamorfoses”, Ovídio relata que o rei da Arcádia, Licaão, serviu a carne do próprio filho, Árcade, a Zeus, na tentativa de provar que a divindade de Zeus era falsa. Enfurecido, Zeus decidiu castigá-lo transformando-o em lobo. Em “A Epopéia de Gilgamesh”, a deusa Ishtar – recusada como amante – transforma o pastor de ovelhas Gilgamesh em lobo, fazendo-o inimigo de seus amigos, de suas ovelhas e até mesmo de seus próprios cães. A ideia dos lobisomens como homens castigados também faz parte de inúmeros contos folclóricos, mas algumas vezes, alguém simplesmente se torna um lobisomem como resultado de um mau comportamento – ou alguém que não tem um bom comportamento, acaba por revelar-se um lobisomem.
Tornar-se um lobisomem pode ser uma dádiva, uma fonte de poder – nem sempre castigo. E pode ser voluntária. Em alguns contos folclóricos, a pessoa se transforma em lobisomem quando veste uma determinada roupa ou cinto. Para os alemães, o cinto é feito de pele de lobo. O homem pode mudar de humano a lobo e vice-versa quando quiser, contanto que ele tenha a vestimenta certa. Quando o cinto é destruído, a pessoa deixa de se transformar. Em outros contos, a pessoa só se transforma em lobo se tirar as vestes, voltando à forma humana quando veste a roupa novamente.
O lobisomem também está presente no folclore brasileiro. A transformação em lobo é uma maldição que atinge sempre a sétima criança de uma sequência de filhos do mesmo sexo. Condenada, a criança se transformará em lobisomem à meia-noite das sextas-feiras de lua cheia, voltando à forma humana ao amanhecer. O lobisomem moderno, eternizado no filme “Homem-Lobo” (Wolfman, 1941), se transforma em lobo nas noites de lua cheia, depois de ser mordido por outro lobisomem. É a criatura que conhecemos. Inteligentíssima em sua forma humana e totalmente irracional em sua forma lobo – tanto que ele espalha medo e terror por onde passa. A criatura é bem diferente dos lobisomens da saga “Crepúsculo”, de Stephanie Meyer. Na saga, a transformação de homem em lobo é hereditária e depende da presença/existência de vampiros em determinadas regiões. Na forma lobo, o lobisomem não ataca humanos, continua um ser racional e é capaz de comunicar-se por telepatia com outros membros da alcateia. Quando exterminam todos os vampiros, deixam de transformar-se em lobos.
1. Bicho-Papão

Essa criatura lendária é comumente encontrada em contos e canções de ninar infantis. Existe em quase todas as culturas e foi criada para meter medo em crianças desobedientes. Trata-se de uma criatura sem forma específica, cuja aparência depende da imaginação e do medo de cada um. Em algumas comunidades, o bicho-papão arranha janelas, em outras, está em cima do telhado, e há algumas em que ele chega com o nevoeiro. Mas o mais comum é que o bicho-papão esteja escondido em lugares escuros, como debaixo da cama ou dentro do armário, pronto para dar um susto em crianças que não querem dormir.

Alguns países da América do Sul criaram uma versão diurna para o bicho-papão: o homem do saco, que viria sequestrar a criança caso ela não se comportasse direito. Atualmente, o uso da figura do bicho-papão pelos pais para que as crianças os obedeçam é bastante criticado, porque mexe com um medo irracional dos pequeninos. Psicólogos dizem que a criatura deixa as crianças tão traumatizadas que elas acabam tendo medo do escuro, de dormir sozinhas e muitas vezes até de dormir.
A lenda original do bicho-papão conta que um feiticeiro enfeitiçado costumava usar os corpos de crianças travessas dos vilarejos para praticar magia. Durante o dia, ele circulava pelas ruas com um saco nas costas, observando crianças travessas brincando na calçada. À noite, um feitiço transformava o mago em uma criatura horrenda, que entrava furtivamente nas casas das crianças rebeldes, as colocava em seu saco e as levava para o ritual de magia.

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